Polêmica Panini Comics

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Nas últimas semanas o que muito se falou foi sobre os aumentos de preços dos encadernados da Panini Comics, editora que reedita material DC e Marvel no Brasil. Os valores variaram entre 30 a 45% no preço de capa de seus encadernados. Os que mais sofreram com essa alta foram os materiais em capa dura. Um exemplo gritante foi que o encadernado do Arqueiro Verde vol.1 de Os Novos 52 com 208 páginas custou em abril de 2017 o valor de R$ 34,90 e o segundo volume anunciado para fevereiro saiu por R$ 51,00 com 172 páginas. Menos páginas e mais caro e isso tudo em um período de menos de um ano. E isso vale também, por exemplo, para Novíssimos X-Men que seu último volume saiu por R$ 42,00 com 148 páginas sendo que o anterior custou em preço de capa R$ 28,00, com apenas 14 páginas a menos. Ainda é um valor salgado, para uma publicação tão fina.

Boicote!

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Começou então uma manifestação na internet sobre a questão com os leitores invadindo as redes sociais da Panini criando “memes” de “abuso” de preço. A coisa ficou tão séria que a Panini passou vários dias sem postar nada. Os vários canais de YouTube pelo Brasil saíram em defesa dos leitores, até porque eles próprios são consumidores. Muito se teorizou sobre as questões dos aumentos dos valores. Até que chegou num momento que a assessoria de impressa da editora soltou uma nota sobre o assunto ao site Universo HQ com respostas robóticas e falando de mercado, tendência de valores mundiais (!), contas internas, etc. O fato é que não colou muito bem e só inflamou ainda mais os fãs. Um assessor então resolveu responder em entrevista ao site Universo HQ e foi o mais do mesmo, pois acabou usando vários trechos da nota anteriormente já divulgada. E claro que jogou mais gasolina no incêndio! O fato é que a editora não conseguiu convencer seu consumidor desses aumentos tão rasgados. E claro, que como consumidor, ninguém quer aumento em seus orçamentos.

Panini como empresa

panini patinhas

Sendo a Panini uma empresa que é, que não vive de alegria dos fãs, obvio que reajustes de valores são necessários. Isso todo mundo espera, normal. O problema surgiu quando o aumento foi muito alto, fora da curvatura aquisitiva do leitor comum. E o pior foi o desdém da editora junto ao seus leitores. Apenas quando o burburinho ficou muito grande a editora se pronunciou da forma padrão que foi. Claro que entendo que os custos para se editar não são baratos. Direitos, contratos diferentes, dissídios, logística, impressão, encargos do governo, etc. Isso todo mundo sabe. E claro que esses custos são repassados ao leitor. De acordo com os comunicados, a editora já vinha segurando os preços. Será mesmo? Pois estão segurou muito, pois esse aumento foi muito extremo. E o pior é a editora esperar mesmo que o leitor entenda. Claro que ele não vai entender e nem é preciso, pois não precisa ser gênio da contabilidade pra compreender que mesmo com todos esses novos valores internos, o preço final para consumidor ficou muito fora da realidade.

A culpa é do leitor e dos “lombadeiros”!

capa dura

Sim! E de certa forma a culpa é do leitor sim. Ele procurou por isso quando passou a exigir mais capas dura, mais impressões de qualidade. Nós como leitores e consumidores, claro que queremos qualidade a preços baixos, mas na realidade brasileira talvez uma coisa não concilie com a outra. Se a Panini percebe essa busca do consumidor, enxerga aí a possibilidade de ganhar mais grana. Se há colecionadores dispostos a investir uma nota preta em quadrinhos nesse formato mais luxuoso, a editora claro que vai expandir esse filão para esses leitores. O problema é que muito material duvidoso começou a sair em capa dura e luxo, e isso inflamou esses valores, pois com a maior procura, a Panini atendeu a tendência e claro, que como empresa, resolveu lucrar alto em cima. Essa “goumertização” se mostrou um tiro no pé tanto para a editora, quanto para o leitor. Infelizmente muito disso se deve aquele nicho de “colecionadores de lombada“. Hoje existe leitores- ou que se dizem leitores- viciados em lombadas pra mostrar no Instagram, Facebook, sei lá onde, suas lombadas e falar das capas duras. Muitas vezes esquecem até mesmo que ali há além da capa dura e lombada, há um gibi para se ler.

Volta ao básico

comics basic

Nunca fui fã de capa dura, com algumas exceções. A realidade brasileira não permite que tenhamos essa proliferação exagerada de quadrinhos de luxo, ainda mais vindo da maior editora do seguimento no país, pois sendo a maior, edita com um volume mais extenso de tiragem e sendo assim, consegue diminuir os valores de capa. O que sempre defendi é que quadrinho tem que ser bom e barato. As edições em capa cartonada e papel LWC conseguem atingir o mesmo nível de qualidade técnica em termos de leitura, e sendo assim ter um material mais barato e acessível ao leitor comum. É pra acabar com quadrinhos em capa dura? Não, mas limitar a publicações tipo Cavaleiro das Trevas ou Sandman, por exemplo. Quando vejo Ms. Marvel, Esquadrão Suicida e todos esses encadernados de Nova Marvel e Novos 52 em formatos de luxo é que percebemos o quanto essa decisão editorial foi equivocada. Agora é correr atrás do prejuízo e rever todo o planejamento estratégico da editora para o ano corrente e os próximos. Quanto ao leitores, é rever seus orçamentos e comprar apenas aquilo que realmente vale o que é.

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