Arzach de Moebius (resenha quadrinhos)

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Não é um quadrinho fácil de ler. Na verdade, nem tem muito o que ler aqui! Moebius foi (é) um artista fora da curva, um cara que veio e mudou tudo que era feito nesse seguimento ali nos anos de 1970 e ecoou isso para as gerações futuras. Uma de suas primeiras incursões na ficção cientifica veio de Arzach (Arzak, Harzak, Harzakc entre outros nomes) e sua incrível obra que chocou a todos por dois motivos: primeiro que não tem balões e segundo que é um trabalho gráfico impressionante, até mesmo pros dias de hoje- imagine então na época de seu lançamento! O bem da verdade, é que Arzach é um quadrinho de painéis grandes, sem balões e que conta estórias curtas sobre ações aparentemente sem nexo nenhum. O próprio artista afirma que seu trabalho consistia em desenhar quadros detalhados, com um esmero fora do comum e com um roteiro muito mais de improviso do que algo pré-concebido com um editor. Essas amarras narrativas ficam claras quando vemos o guerreiro Arzach em situações sem muito sentido, que apenas vagueia pelas belas pinceladas e pelo traço da pena em um trabalho rebuscado, idílico e visualmente arrebatador.

Veja bem, não se trata de uma HQ fundamental pelo seu “texto”, mas sim pelo impacto narrativo que ele nos dá. Esse trabalho deu a Moebius uma projeção ainda maior dentro da área profissional e o deixou mais livre para criar trabalhos autorais. Ainda assim, o artista continuava seus trabalhos dentro da revista Pilote (1959-1989) com Bluebarry e usava suas outras HQs para mostrar mais de sua personalidade e falar de seus momentos. Cada detalhe respira. Cada quadro você para e aprecia o tom da tinta e a hachura que confere luz ou sombra àquela imagem. Admito que não é um quadrinho para se “ler” e entrar no seu “top alguma coisa” como uma das obras fundamentais da Nona Arte, mas é um trabalho de suma importância pela sua carga criativa e pelo visual do qual não se vê em lugar nenhum e nem nessa proporção. Moebius era um desenhista que fez uma carreira arrebatadora no campo visual- tanto que foi chamado para criar muita coisa nos cinemas de Hollywood- mas não era um roteirista fácil de se assimilar.

Junto a esse álbum ainda tem uma HQ curta chamada O Desvio do qual o autor usa uma viagem sua como pano de fundo criando uma metalinguística fora do comum. Na trama curta Moebius mostra seu lado mais pessoal ao se colocar como um artista numa viagem metaforicamente sufocante. Entre uma metalinguística e outra, sobra para sua família, seu editor, o pessoal do qual fazia parte (Les Humanoïdes Associés) e para seu próprio jeito de enxergar as coisas. Com textos longos e balões enormes, O Desvio não parece fazer sentido nenhum, mas na verdade fala bastante entrelinhas sobre o que estava acontecendo e seus sentimentos naquele momento. Na própria introdução ele já diz que não estava satisfeito com a forma que o grupo que participava atuava e que tinha problemas em sua vida pessoal que ele exprimia naqueles enormes balões. Um trabalho visual incrível dentro de um contexto contemplativo particular a cada um. Em tempo, o trabalho gráfico da Editora Nemo nesse material é espetacular e dá total notoriedade ao material impresso pela qualidade gráfica e por intensificar a arte do mestre Moebius.

Serviço:

Coleção Moebius: Arzach
Roteiro e arte: Moebius
Páginas: 52
Formato: 24 x31cm
Capa: Dura
Preço original: R$ 42,00
Ano: Julho de 2011

Editora: Nemo

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