BLACKSAD – Algum lugar em meio às sombras.

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Imagine você assistindo um filme clássico de um romance policial americano ao estilo Noir (expressão francesa a um subgênero de filmes americanos entre os anos 1939 a 1950), desenvolvido em uma grande cidade e um personagem protagonizado por um policial durão, dedicado a uma investigação criminal misteriosa. Agora inserimos personagens antropomorfos (atribuir características humanas em animais), um enredo bem construído e desenhos sensacionais em aquarela…assim temos Blacksad.

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John Blacksad

Criado pelos autores espanhóis Juan Díaz Canales (escritor) e Juanjo Guarnido (desenhista), Blacksad é uma série de histórias em quadrinhos originalmente publicado pela editora francesa Dargaud, publicado em cinco volumes entre os anos 2000 a 2014. No Brasil, a editora Panini chegou a lançar em formato americano, mas somente os dois primeiros volumes. Atualmente, a editora SESI-SP possui o domínio da série e já publicou os três primeiros volumes até o momento. Devemos destacar as publicações do SESI-SP em formato europeu (padrão de tamanho físico maior que o padrão americano), facilitando o deleite da visualização dos desenhos e preservando o formato original da obra.

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Juanjo Guarnido e Juan Díaz Canales

Guarnido e Canales ganharam vários prêmios pela série, incluindo três nomeações no prêmio Eisner em 2004, e duas vitórias no mesmo prêmio em 2013.

O enredo inicia com o enigma da misteriosa morte de uma charmosa atriz, baleada com um tiro na cabeça e deitada em sua cama. A princípio, não existem quaisquer evidencias de suspeitos e motivações daquele assassinato.

O comissário de polícia Smirnov responsável pela investigação, solicita uma segunda opinião ao detetive John Blacksad e o mesmo reconhece que a vítima já foi uma antiga amante. Smirnov pede para não se envolver no caso, mas Blacksad ignora o pedido e adentra no caso sozinho.

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Blacksad em meio as suas investigações.

Durante as investigações pessoais de Blacksad em busca de pistas do homicida, os pensamentos do protagonista são inseridos durante a narrativa, facilitando a compreensão de suas ações e motivações. Este artifício narrativo envolve o leitor ainda mais ao enredo, criando uma empatia e até uma certa preocupação ao personagem principal.

“às vezes, quando entro em meu escritório, tenho a impressão de estar caminhando entre as ruínas de uma civilização antiga. Não por causa da desordem e do caos, mas justamente porque aqueles escombros parecem os vestígios do ser civilizado que um dia eu fui.”

Os desenhos são esplendorosos e não faltam adjetivos para elogiar tal arte deste quadrinho. Existem ótimos pontos de vista criados pelo Guarnido durante o decorrer da obra, com perspectivas diversas e criativas. Podemos compreender a inserção de uma apropriada profundidade na pintura e poder visualizar com mais detalhes a intensão que o artista pretende passar para o leitor.

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Destaque na perspectiva e encaixe funcional das personagens.

O colorido contêm tons pardos e escuros, a favor do clima correspondente a leitura. As expressões faciais dos personagens, os estereótipos de cada animal correspondente e a caracterização entre classes sociais distintas são bem executados e plausíveis, oferecendo um envolvimento a mais no proceder da leitura.

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Observe a riqueza de detalhes e o cuidado nas cores inseridas.

O enredo não traz uma história original com direito a reviravoltas inimagináveis, entretanto a narrativa é fluida, interessante e na medida certa, com apenas 52 páginas. Vale lembrar que a história é fechada, sendo assim, a distinção entre os volumes de Blacksad são executados pelos autores.

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Boas sequencias de ação, além de onomatopeias em certas cenas.

Enfim, Blacksad é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais dos quadrinhos europeus que estão atualmente no mercado brasileiro. A editora SESI-SP está fazendo um ótimo trabalho na produção da série, tanto pela gramatura do papel couché, como na resolução das cores.

O que achou desta resenha? Deixe seu comentário rapidinho para averiguar o feedback. Um abraço.

4 COMENTÁRIOS

    • E aê primo…pode comprar que não irá se arrepender. Não é caro e a editora pretende lançar toda a série. Agradeço seu apoio e abraço.

  1. Ed., depois da leitura e admiração a arte me tornei fã indiscutível. Pretendo comprar os próximos volumes e futuras resenhas dos mesmos virão. Abraço.

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