Crítica: Jurassic World 2 – Reino Ameaçado

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Mesmos Ingredientes Em Uma Nova Receita

Uma franquia com mais de vinte anos, que revolucionou a história do cinema com efeitos especiais inovadores, calcada em animais pré-históricos extintos, ainda possui apelo junto ao grande público? Há histórias novas e desdobramentos interessantes que justifiquem levar o espectador as salas de cinema? Muito se especulou sobre isso no murmurinho virtual que antecedeu o lançamento da nova produção Jurassic World 2 – Reino Ameaçado.

Comprovadamente não se deve subestimar o poder da natureza, independente de ser uma representação digital de criaturas que não mais existem. Embora em si tratando da magia do cinema isso pouco importa, pois você fica impelido a acreditar e se solidarizar com o destino desses animais majestosos. E duas coisas a se destacar nessa nova obra: a ainda hoje surpreendente sofisticação dos efeitos que conferem um meticuloso detalhamento das características dos dinossauros e a diversidade de espécies que este filme nos brinda. Um verdadeiro presente para os apaixonados por esses gigantes que reinaram em nosso mundo bem antes de nossa chegada.

O coeficiente humano do filme também corresponde as expectativas, em especial a boa química do casal de protagonistas. Chris Pratt e Bryce Dallas Howard elevam a boa dinâmica de suas personagens nos oferecendo um crescente do que presenciamos anteriormente, tanto nas muitas cenas de ação e tensão, como no desenvolvimento de seu relacionamento amoroso, que segue convincente. Em compensação o elemento de alívio cômico deixa completamente a desejar. Incumbido a Justice Smith, além de carecer de um perfil genuinamente engraçado em sua atuação, a repetição de situações decorrentes do medo do personagem esvai ainda mais seu superficial carisma.

Outra lacuna mal lapidada consiste na preenchida pelo vilão, que cumpre seu papel, mas não vai muito além disso, revelando-se desprovido de maiores justificativas, uma construção mais apurada de modo a envolver mais fortemente a audiência. Sabemos bem o quão marcante pode ser um bom vilão, mas infelizmente não é o caso aqui.

Por outro lado a trama introduz novas facetas dos bastidores do Jurassic Park em seus primórdios, enriquecendo assim a mitologia da franquia. Mostrando um outro pilar na edificação do levantamento científico que possibilitou trazer de volta os dinossauros, nos é apresentado um sócio de John Hammond, também um entusiasta da ciência e da natureza, mas que guarda um segredo referente a sua neta, algo que fez ruir a milionária parceria.

Curioso notar o fato da história, mesmo introduzindo coisas não vistas, possuir uma forte carga de elementos facilmente reconhecíveis das produções anteriores, o que levou ao questionamento quase generalizado de o novo filme ser mais do mesmo, e isto, por mais incrível que pareça, felizmente não se configura em um problema. Pois é nesse ponto que reside o maior triunfo de Jurassic World 2. Mesmos ingredientes, mas estabelecidos de forma competente oferecendo uma nova receita, proporcionando um saborear muito mais satisfatório do que nas versões passadas, mais especificamente no que tange a Mundo Perdido, segundo filme da franquia.

Uma diversão assegurada, um espetáculo visual, confrontos entre monstros enormes, tradicionais situações de sobrevivência em veículos do parque, reencontro com velhos conhecidos, no caso Jeff Goldblum revisitando seu papel de Dr. Malcolm, e uma boa representação da ganância desenfreada do espírito humano.

Por fim, fica a reflexão de quem são os verdadeiros animais ao término de tudo. Seríamos assim tão diferentes dos dinossauros para merecer reivindicar, em detrimento deles, o reinado de nosso mundo? Nos resta aguardar a reposta no fechamento da trilogia, e torcer para o amadurecer dessa mensagem como um exercício de superação de consciência da humanidade.

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