Esquadrão Suicida- Acerto de Contas

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As animações da DC ao contrário dos filmes para o cinema são em geral acima da média. Nisso pode-se tirar o chapéu. As últimas mais baseadas na iniciativa Os Novos 52 oscilaram bastante de qualidade tanto técnico, como principalmente de roteiro. Na verdade foi uma gangorra muito mais negativa, tendo em vista que a última reformulação antes de o Renascimento foi duramente criticada pelos fãs e pela impressa especializada. As animações também não se salvaram muito. Quando foi anunciado o primeiro filme solo animado de Esquadrão Suicida logo se esperava outra animação mediana, mas não foi o que aconteceu aqui. Muito pelo contrário, o filme está acima da média de muita coisa feita na DC no campo animado. A dimensão do diferencial já começa nos seus primeiros cinco minutos de fita quando numa ação extremamente violenta o Esquadrão Suicida- em uma outra formação- investe contra um trem em movimento numa missão onde as baixas estavam liberadas. E temos uma sucessão de tiros na cabeça, miolos voando, braço decepado, gente partida ao meio, cabeça explodindo, uma verdadeira carnificina digna de uma cena de Kill Bill vol. 1.

Na trama Amanda Waller monta uma equipe extraoficial para recuperar um objeto místico de seu interesse pessoal. Com isso Pistoleiro, Tigre de Prata, Arlequina, Capitão Bumerangue, Nevasca e Cobra Venenosa partem em busca do tal objeto- e essa é uma equipe que não tem nada de unida. Acontece que Vandal Savage também quer a mesma coisa e o caminho de ambos se encontra no meio da missão. Com várias reviravoltas, a equipe liderada pelo Pistoleiro se coloca em um perigo mortal sendo sumariamente surrados por duas frentes inimigas. Para piorar, Amanda Waller não pensa duas vezes antes de estourar uma bomba inserida cirurgicamente nas cabeças dos seus subordinados os explodindo caso falhem ou desertem. Com tudo isso em mente, o que vemos são vilões desesperados para terem suas penas reduzidas sem entrarem numa saco plástico preto para isso. As cenas de ação são muito bem conduzidas e não economiza no sangue. Destaque para a participação de Zoom e sua ligação com uma famosa fase da editora que faz uma boa ponte entre os filmes animados.

Tecnicamente falando, a animação em si não tem nada de diferente. Na verdade já houve filmes animados da Warner Bros Animation com melhor qualidade, mas ainda assim, funciona bem para contar a estória aqui apresentada. Sam Liu é o diretor que mais vem trabalhando nos filmes animados da DC e tem feito boas investidas. Com roteiro do veterano Alan Burnett, Esquadrão Suicida se saiu muito bem em seu primeiro filme animado. Na verdade, saiu-se até melhor que sua contraparte em carne e osso. O bom foi que mesmo sendo uma animação, os envolvidos entenderam que não dava para ser o Esquadrão Suicida- que é uma equipe de vilões condenados- sem derramar muito sangue. E isso ficou bem explicito aqui. Foi um filme bem trabalhado tanto na direção quanto no roteiro e o resultado final é bem satisfatório. Vale lembrar que Batman: Assalto em Arkham não conta como filme solo dos personagens do Esquadrão Suicida, como muito gente vem falando. O primeiro filme é esse aqui. De resto, fica aí o gostinho de “espero que façam mais disso”. Para esse ano ainda tem o filme A Morte do Superman, que tentará ser mais fiel aos quadrinhos que o primeiro que foi realizado em 2008 e será divido em duas partes.

Esquadrão Suicida- Acerto de Contas (Suicide Squad- Hell to Pay, 2018)
Direção: Sam Liu 
Roteiro: Alan Burnett 
Elenco (vozes originais): Christian Slater, Billy Brown, Liam McIntyre, Kristin Bauer van Straten, Gideon Emery, Tara Strong, Vanessa Williams 
Duração: 91 min. 
Estúdio: Warner Bros Animation

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