Homem de Aço de Brian Michael Bendis (resenha)

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Quando Brian Michael Bendis foi anunciado como o novo roteirista do Superman muitos fãs gostaram e outros torceram o nariz. No mês de maio agora a Panini do Brasil finalizou a minissérie Homem de Aço que fora editado lá fora em seis edições e aqui saiu na nova mensal do herói em três. O saldo é tão negativo quanto alguns leitores afirmam?

Bendis é um baita roteirista e quem leu Demolidor, Alias ou Homem-Aranha Ultimate dele sabem. Mas também já produziu alguns quadrinhos medianos para ruins. O que se esperava dele então no Superman, o maior medalhão da DC Comics? Tava claro que ele queria mudanças. Queria fazer algo novo, que não fosse apenas uma continuidade do que já estava sendo feito.

A minissérie na verdade começa com um mistério: onde estão Lois e Jon? O Superman voltou a usar a cueca por cima das calças? E o mais bizarro: quem é Rogol Zaar? Todas essas perguntas são resolvidas na minissérie. A sensação que se passa é que Brian Bendis quer devolver o status quo do personagem. Trazer o Superman solteiro e único filho de Krypton. Pra começar ele arruma uma forma (muito ruim, diga-se de passagem) de tirar Lois e Jon de cena.

Em seguida ele também dá uma solução para Kara, a Supergirl e a isola do planeta. Kandor é também é destruída. O saldo disso: Superman sozinho. Superman pra mim funcionava melhor quando era o desajeitado Clark Kent, repórter do Planeta Diário, que também era secretamente o Superman, o último Filho de Krypton e apaixonado por Lois Lane, a incrível repórter de Metrópolis. Mas não dá pra manter isso pra sempre. Muita coisa rolou até aqui. Fases ruins e fases boas.

Bendis achou que podia devolver o Superman ao seu status de homem sozinho (se livra de Jon e Lois numa única e questionável tacada), destrói Kandor e afasta Kara, a Supergirl. Sendo assim… Ele volta a ser em tese o último kryptoniano… Na Terra. Mas Bendis não contava que Peter J. Tomasi criasse um Superman que funcionasse tão bem mesmo casado e com um filho. E foi aí que a teoria de Bendis caiu.

Sim… Era possível deixar o Superman com a mesma pegada que ele “estudou”, mas ele não conseguia. Criou um vilão sem graça e lhe deu um peso que pra mim soou forçado. Tirou Lois e Jon da trama. Não soube criar sem precisar refazer. Uma boa parte dos leitores dizem que agora melhora relativamente bem. Veremos. Não é a pior fase do Superman- , caramba, longe disso- mas baixou o nível de criação se comparado com o último roteirista.

Soma-se também o “hype” que fizeram em cima do autor e a pressão por criar algo novo e avassalador. Mas Bendis em sua tentava, ele tenta na verdade primeiro ir pelo básico- que foi devolver ao herói seu estado de herói solitário. Cria um vilão para dar substância, ainda que esse vilão na verdade seja um Calcanhar de Aquiles. Foi um começo morno. Se vale de consolo, o Superman dele está intacto.

Digo… a personalidade dele. É o Superman que eu lembrava: herói, preocupado com as pessoas, muito poderoso e um grade ser humano. Faltou encaixar isso num enredo menos alegórico. É a pior fase do Homem de Aço como alguns dizem? Nem de longe! Quem lembra do Pós-Retorno do Superman, fase dos dois Super-Homens Elétricos, Chuck Austen e Jeph Loeb escrevendo e uma das piores de todas, Os Novos 52, sabe que essa minissérie do Bendis está longe de ser ruim. É apenas fraca. Abaixo do “hype” esperado.

2 COMENTÁRIOS

  1. ótima matéria Ed, boa descrição pessoal e lindas imagens, entretanto fica a lamentação da espectativa em cima de Bendis em construir boas histórias ao Homem de Aço.

    • Valeu, meu velho! É… gosto muito do Bendis, mas até aqui ele não fez algo muito legal. Mas também não chega a ser um desastre. Já vi fases piores do Superman.

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