Skreemer • Volume Único- Resenha Quadrinhos

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Um futuro distópico indeterminado onde o mundo “zerou” a contagem dos tempos e reinicio por Eras. Depois que uma doença assolou o planeta, veio uma onda de crimes e oportunismos. Havia inciado uma nova Era; uma onde gangsteres dominavam tudo em que tocavam. Era um ambiente violento, regado nas drogas, no sexo, na fome, no sangue.

Uma selva contida por balas e ameaças. Skreemer é uma obra que foi editada pela primeira vez em 1989 com o selo DC Comics e posteriormente reeditado no selo Vertigo quando esse surgiu no começo dos anos de 1990. A obra de Peter Milligan e Brett Ewins bebe de uma fonte mista de muitas conexões que passa por muitas questões complicadas e vai além na literatura, cinema, música e cultura pop.

Milligan traça um quadrinho visceral, onde a vida é contada de uma forma muito peculiar. A sobrevivência do mais forte vai além dos poderes de quem comanda, mas está ligada a uma série de fatores que entrelaçam durante sua vida. Na trama o mundo está em frangalhos, mas de certa forma, rumando para algo novo.

No entanto, Vetor Skreemer resiste a essa mudança e tem um plano para barrar esse avanço. Na “Era dos Gigantes“, os “Skreemers” eram assassinos principais de seus Presidentes- era assim que os chefes de gangues que dominavam o mundo se identificavam. Mas Vetor foi além, e tornou-se o único Skreemer vivo, fazendo então, que o termo virasse seu segundo nome.

Paralelo à existência de Vetor, a estória toma conhecimento da família Finnegan e de como essas pessoas e suas gerações foram se entrelaçando de alguma forma com a história de Vetor Skreemer. O enrendo de Milligan é contado com passagens abruptas de tempo, onde o leitor não ganhará nada de mão beijada, pois não é um quadrinho fácil de ser absorvido e nem lhe entregará tudo de bandeja.

Esse é um momento de transformação, de passagem de tempo onde um mundo derrubado e rodeado de desesperança, tenta sobreviver de alguma forma- mesmo que seja na bala. Mas muito mais que uma HQ de violência, é uma estória sobre a esperança de um mundo diferente, ainda que seja rodeado de sangue e agruras.

Mas admito que não é uma HQ fácil. Até mesmo nos Estados Unidos, não fez muito sucesso, apesar das muitas críticas positivas. Mas a sua importância dentro do mercado é gigantesco. Foi uma das obras seminais do selo Vertigo (ainda que tenha surgido primeiro na DC) e serviu de farou para os futuros trabalhos dentro da casa no selo adulto.

No Brasil foi editado pela Abril em formato de minissérie em seis partes (1990), depois encadernada em um único volume (1991). Teve uma versão luxuosa pela Brainstore em 2003, mas em preto e branco, o que causou muita estranheza. A última versão é a editada pela Panini e capa dura em 2017.

Em suma, um quadrinho a frente do seu tempo. Fora da curva até mesmo para os dias de hoje, mas que em seu texto tão complexo, pode afastar leitores mais acostumados a uma linha mais comum. Um dos melhores trabalhos de Milligan.

A arte de Brett Ewins traduz bem o roteiro e retrata exatamente o que se pede com clareza. A arte-final de Steve Dillon por vezes moldando em seu traço característico, mas ainda assim consegue colocar movimento no lápis de Ewins. Um dos melhores quadrinhos do selo adulto da Vertigo.

Skreemer
Roteiro: Peter Milligan
Desenhos: Brett Ewins
Arte-Final: Steve Dillon
Páginas: 180 (versão encadernada Panini)
Ano: 2017
Preço: R$ 59,90

Skreemer 
Roteiro: Peter Milligan
Desenhos: Brett Ewins
Arte-Final: Steve Dillon
Páginas: 180 (versão encadernada Brainstore em P/B)
Ano: 2003
Preço: R$ 45,00

Skreemer 
Roteiro: Peter Milligan
Desenhos: Brett Ewins
Arte-Final: Steve Dillon
Páginas: 196 (versão encadernada Abril)
Ano: 1991
Preço: Cr$ 2.500,00

Skreemer 
Roteiro: Peter Milligan
Desenhos: Brett Ewins
Arte-Final: Steve Dillon
Páginas: 32 por edição (versão minissérie em seis parte da Abril)
Ano: 1990
Preço: Cr$ 120,00

1 COMENTÁRIO

  1. Excelente descrição Ed com detalhes em personagens e ambientação. Como você descreveu é um quadrinho para poucos, mas uma leitura interessante para os entusiastas de gangues, violência e drama em meio a decadência urbana.

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