Um Conto de Batman – Gotham City 1889

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Originalmente esta obra foi lançada nos EUA com o título Gotham by Gaslight 1889, e no Brasil publicada em 1990 pela Editora Abril Jovem. Esta edição especial de volume único não acompanha a cronologia do personagem, se tornando a primeira história publicada pelo selo Elseworlds (Túnel do Tempo) na editora DC Comics, conhecido por colocar seus personagens clássicos em outras realidades.

Com roteiro e ideia de criação de Briam Augustyn e desenhos de Mike Mignola, o enredo se passa em meados do século XIX, com um estilo steampunk (um subgênero da ficção científica), a fim de experimentar o Homem Morcego em um ambiente investigativo inédito, característico do universo policial literário como Agatha Christie e Arthur Conan Doyle.

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Neste conto sombrio alternativo, Bruce Wayne passa cinco anos estudando na Europa, precisamente em Viena e ao fim de tudo, ele deseja voltar para sua cidade natal. Mas antes de sua viagem, Bruce revela com uma breve explanação de um sonho recorrente para o seu amigo e doutor Sigmund Freud, a morte trágica de seus pais assassinados por um bandoleiro.

Uma curiosidade que nos deparamos é o encontro por acaso de Bruce Wayne com um amigo da família (tio Jack), onde eles passam a viajar em companhia um do outro ao destino de Gotham City.

Bruce percebe que após tanto tempo ausente de Gotham, compreende uma ampliação estrutural e populacional de sua cidade, igualmente ao crescimento da criminalidade. Diante dos fatos, Bruce mostra-se ansioso para entrar na noite com seu traje de Batman, ainda sabendo que pelos principais jornais locais, o mesmo é visto como um morcego gigante, perigoso e assustador. A justificativa existe por associarem Batman com uma criatura imaginária que está matando várias mulheres degoladas durante as noites de Gotham.

Na metade da história, Bruce Wayne é julgado pelo assassinato das mulheres degoladas anteriormente citadas. Seu advogado de defesa será seu tio Jack e o promotor se constituirá por Harvey Dent, anteriormente amigo de Bruce Wayne. Contudo, Bruce é condenado a forca e começa uma corrida contra o tempo no anseio de provar a sua inocência junto ao seu amigo e inspetor Gordon.

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Um ponto interessante que podemos observar no decorrer da leitura são pedaços rasgados de textos escritos por Bruce Wayne, mostrados em alguns momentos específicos durante toda a história, como uma espécie de um diário pessoal. Posteriormente, também existem citações escritas em papeis rasgados por um homem ainda desconhecido, revelando através de suas palavras, uma mente perturbada, fria, com sentimentos de perseguição e punição.

Os desenhos de Mignola criam o design de Gotham com uma atmosfera densa e convincente para a época pensada. Não podemos esquecer também do visual do uniforme funcional e formidável do Batman. Vale ressaltar também os instantes de expressões faciais que definem desespero e pavor de certos personagens coadjuvantes, dignos de uma obra de terror e bônus para o leitor.

O roteiro de Augustyn é bem montado, porém muito curto para uma obra potencialmente interessante e instigante, não permitindo o desenvolvimento maior de personagens secundários e outros detalhes. Durante a leitura existe um certo peso de investigação e um breve suspense por parte de Bruce Wayne, entretanto as aparições do Batman com seu original traje de época são poucas vezes visualizadas para a tristeza dos leitores.

Vale a pena conferir nosso herói fora dos tempos atuais. O confronto de Batman contra “Jack, o Estripador”, pseudônimo mais conhecido no mundo como assassino em série não identificado, marca no mínimo, um curioso encontro entre o maior detetive do universo dos quadrinhos e um lendário serial killer, respectivamente.

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Não esqueça de conferir depois da leitura desta resenha, a análise da animação adaptada deste quadrinho aqui no site Função Nerd, por Ed Pontes.

 

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