X-Men: Deus Ama, o Homem Mata (review)

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Lançado em 1982, esse é um clássico atemporal dos X-Men e também uma das HQs mais importantes da indústria de quadrinhos. Os mutantes da Marvel não lutam apenas contra vilões que revidam com socos e pontapés- e poderes-, mas também contra várias ideologias. Contra um mundo inteiro que teme o que é “diferente” de um padrão pré-definido. As palavras podem ser uma arma muito mais ferrenha do que rajadas óticas ou garras de adamantium. E os X-Men conhecem essa fúria desde sua criação.

O reverendo William Stryker é um ex-militar que agora começou uma perseguição pessoal contra mutantes. De acordo com ele, os mutantes são uma praga do inferno e devem ser combatidos como seres indignos de respirar o mesmo ar que os “humanos não mutantes”. A força empregada dentro do contexto social e religioso aqui distintas causa uma ambiguidade com a realidade não apenas da época, mas também totalmente atualizado com o hoje- o que é um ponto a ser observado, por mostra que os mesmo erros cometidos há de trintas anos continuam em voga.

Usando de passagens bíblicas para pregar seu evangélico rançoso, Stryker incita as pessoas a temerem e odiarem os mutantes. Os X-Men vêm isso como um estopim perigoso e sangrento que pode não apenas gerar uma guerra generalizada, mas também condenar toda a raça humana a uma vida de perseguições sem fim. A Graphic Novel já começa pegando pesado quando os Purificadores, seita essa orquestrada por Stryker, perseguem duas crianças com dons mutantes e as assassina friamente para em seguida pendurar os corpos dos jovens em brinquedos de um parquinho em uma escola para “servir de exemplo”.

Magneto chega um pouco depois e lamenta pesarosamente a morte daquelas duas crianças e jura vingança contra seus assassinos. Paralelo a isso Stryker traça um plano para exterminar os mutantes, mas precisa capturar Charles Xavier, o maior mutante de todos até ali. Seu plano é fazer uma lavagem no mentor dos X-Men e usar seus dons mentais amplificados por um mecanismo para matar mutantes no mundo todo.

Durante uma emboscada Xavier, Ciclope e Tempestade caem perante um cerco. Os X-Men restantes que conta com Wolverine, Colossus, Lince Negra (chamada aqui de Ariel) e Noturno, aliam-se a Magneto para um resgate ousado. Nesse ínterim, Ciclope e Tempestade são resgatados e partem para a ofensiva em busca de Xavier. Durante um discurso em rede nacional Stryker prega sua palavra de ódio e preconceito gerando diversas discussões a favor e contra o que está pregando. Será que o “próximo passo da evolução” na verdade é uma praga religiosa e deve ser perseguida e extirpada, ou toda essa intolerância deve ser analisada com cuidado para não transformar essa perseguição em um campo de concentração?

O roteiro de Claremont fala muito forte sobre minorias, sobre preconceito e sobre intolerância, assunto que por incrível que pareça ainda são tão comuns a ponto de causarem dor e destruição por onde passa. O texto fala bem sobre o poder da palavra mal- empregada e de como ela pode ser violenta e mortal. Chris Claremont é conhecido por seus “novelões” mutante, mas em seu auge sabia contar essa estória como poucos. Aqui ainda mantenha alguns vícios de seu trabalho ao ser redundante com suas caixas de texto,- recordatórios que falam exatamente o que já estamos vendo- sua linha narrativa é madura e bem construída.

Muito disso também se deve ao bom trabalho do artista Brent Anderson, que mantém um traço mais catedrático, ainda que falhe algumas expressões e composição gráfica, seu trabalho maduro dá mais credibilidade a esse drama e deixa tudo ainda maior. Como artista mais anatômico, os personagens ganham estatura mais humana e os exageros ficam para trás. Originalmente Neal Adams faria esse especial, mas desistiu do projeto tendo feito ainda seis páginas. Anderson cobriu muito bem esse papel.

Deus Ama, o Homem Mata serviu de base para o segundo filme dos X-Men nos cinemas que é considerado até hoje o melhor filme da franquia. Esse quadrinho já foi editado pela Abril Jovem nos anos de 1980 e pela Salvat e Panini nos 2000. É com certeza um dos itens de leitura que devem entrar na lista de qualquer fã de quadrinhos e um dos mais importantes desse seguimento.

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata
(God Loves, Man Kill– 1982 para Marvel Graphic Novel n° 5)

Roteiro: Chris Claremont
Arte: Brent Anderson
Cores: Steve Oliff
Editora original: Marvel Comics

Publicações:

Graphic Novel #01 X-Men: O Conflito de uma Raça (1988)
Formato: (21 x 27,5 cm)
Páginas: 68
Editora: Abril Jovem
Tipo: Canoa (grampos)
Preço: Cz$ 150,00

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata (2003)
Formato: (18,5 x 27 cm)
Páginas: 68
Editora: Panini Comics
Tipo: Canoa (grampos)
Preço: R$ 6,50

X-Men: Deus Ama, o Homem Mata (2014)
Formato: (20,5 x 27,5 cm)
Páginas: 104 (com vários extras)
Editora: Panini Comics
Tipo: Capa dura
Preço: R$ 22,90

Os Heróis Mais Poderosos da Marvel  Vol.15 (2015)- Com X-Men: Deus Ama, o Homem Mata
Formato: Americano (17 x 26 cm)
Páginas: 192 (contém também X-Men: Dias de um Futuro Esquecido)
Editora: Salvat
Tipo: Capa dura, lombada
Preço: R$ 34,90

2 COMENTÁRIOS

  1. Bom trabalho Ed, uma obra clássica que trás a tona o maior problema inicial não somente dos X-Man, mas também de todos os mutantes…o preconceito junto com o ódio sem causa.
    Ler X-Men é diversão com muita ação, trabalho em equipe e diversidade entre os personagens, porém sempre serão lembrados também, principalmente nas histórias mais clássicas, pelas lutas contra a intolerância e ignorância.
    Tenho os exemplares da editora Abril Jovem e Panini e já tenho a vontade de reler depois de sua análise.

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